Guerras,
desastres causados por
intempéries climáticas,
doenças e fome não são
novidade na história da
humanidade, mas ocorrências
tão acentuadas como nos
tempos atuais tem levado
muitos a crerem que a volta
de Jesus é iminente e o
final dos tempos está
próximo. Para a maioria das
pessoas, crentes ou não, a
sensação é a mesma: o tempo
está passando muito rápido,
como se os dias estivessem
sendo abreviados. A revista
Carta Capital
reproduziu em sua edição de
março matéria veiculada na
revista britânica The
Observer em que
cientistas afirmam que a
situação climática da Terra
é muito pior do que tem sido
descrita, principalmente,
pelos Estados Unidos, e que
o aquecimento global e as
mudanças climáticas advindas
podem gerar catástrofes
inimagináveis e custar a
vida de milhões de pessoas
entre os anos de 2010 e
2020. A recente passagem de
um ciclone por estados do
Sul do Brasil, fato que
nunca havia ocorrido no
hemisfério sul com tanta
intensidade parece
demonstrar que a previsão de
alguns está correta sobre o
final dos tempos. Será?
Pastor e
conferencista sobre o tema
escatologia, tendo escrito
cinco livros sobre o
assunto, Eliseu Pereira
Lopes acredita que somos a
última geração iniciada com
a volta dos judeus e a
formação do Estado de Israel
em 1948 e que estamos
vivendo os tempos do fim.
-
Acredito que os sinais que
temos visto atualmente não
são meras coincidências e
sim prenúncio da volta de
Jesus e de que Deus está nos
revelando a proximidade de
seu juízo, bem como
mostrando ao mundo que
existe um Deus. Coisas
espantosas como o ocorrido
em 11 de setembro de 2001,
nos EUA, e em 11 de março
último, em Madri; a
corrupção se espalhando por
todo o mundo; cada vez mais
anúncios de filhos que matam
pais e pais que matam filhos
(Mc 13.12), enfim tempos
difíceis (2 Tm 3.1-5),
também demonstram que a
volta de Jesus está às
portas, comenta o pastor,
acrescentando que em toda a
Bíblia são encontradas
referências que atestam a
certeza de que estamos
próximos da volta de Cristo.
Ainda
segundo Lopes, Deus sempre
revela aos seus servos os
seus atos antes que sucedam,
conforme Gênesis 18.l7,
Isaías 42.9; Jó 16.12-13 e
Hebreus 11.7.
Ele
lembra que Deus anunciou a
Noé o dilúvio e a Abraão a
destruição de Sodoma e
Gomorra.
- E
assim, nos anuncia a volta
de Cristo (Lc 21.10-11;
29-36).
Com uma
visão diferente, o teólogo
Marcos Inhauser, da Igreja
da Irmandade do Brasil,
questiona a opinião de
Lopes. Segundo ele, não é a
primeira vez que a Terra
passa por profundas mudanças
climáticas.
- Não há
evidências sérias que
mostrem que, hoje, temos
mais guerras do que houve no
passado, que epidemias como
a peste negra, gripe
espanhola e outras que
mataram milhares de pessoas
na antigüidade eram menos
fatais que a AIDS, a SARS ou
a gripe do frango. Se
olharmos para o nível de
exploração da natureza, para
os índices de poluição, para
a concentração humana nos
grandes centros urbanos e a
violência disto decorrente,
não há como negar que
estamos caminhando para a
auto-destruição, mas Ele
(Jesus) mesmo disse que o
tempo de sua volta compete
ao Pai, defende Inhauser.
Nenhum
outro livro da Bíblia teve
tantas e tão divergentes
interpretações quanto o
Apocalipse. Teólogos como
Calvino, Lutero e Agostinho
não se detiveram, nos seus
escritos, em tentar
desvendá-lo. Portanto, é
importante que busquemos o
reino de Deus, tendo a
certeza que na hora certa,
Jesus voltará.
A
abreviação do tempo
Em artigo
publicado no Jornal do
Brasil, em 5 de março, o
teólogo Leonardo Boff relata
uma teoria, através da qual
a sensação de que o tempo
está passando mais rápido,
não seria ilusória, mas
poderia ser real. É a teoria
chamada de Ressonância de
Schumann, por meio da qual o
físico alemão W. O. Schumann
constatou, em 1952, que a
Terra é cercada por um campo
eletromagnético poderoso,
que se forma entre o solo e
a parte inferior da
ionosfera, a cerca de 100 km
de altitude. Esse campo
possui uma ressonância mais
ou menos constante, da ordem
de 7,83 pulsações por
segundo, sendo todos os
vertebrados e o nosso
cérebro dotados da mesma
freqüência. Pela teoria
acredita-se que por milhares
de anos, as batidas do
coração da Terra tinham essa
freqüência e a vida se
desenrolava em relativo
equilíbrio. Mas a partir dos
anos de 1980, a freqüência
passou de 7,83 para 11 e
para 13 hertz por segundo.
Portanto, a percepção de que
tudo está passando rápido
demais não seria ilusória.
Adolfo
Maia, físico e professor do
Departamento de Matemática
Aplicada da Unicamp,
discorda e garante que caso
houvesse uma mudança desse
nível no planeta, outras
leis da física seriam
afetadas e as mudanças
seriam radicais. O pastor
Eliseu Pereira Lopes
acredita que, quando a
Bíblia fala em abreviação do
tempo, está falando do
período da tribulação,
descrito no livro de Mateus,
capítulo 24, e não do
horário de 24 horas. Sobre o
assunto, o teólogo argumenta
que a noção do tempo é
relativa. Por isto, temos
que ter relógios para saber
as horas. Desde o ponto de
vista estritamente físico e
da mecânica celeste, o tempo
de hoje medido em horas, é
igual ao que era há milhares
de anos.