Meu nome é Paulo Henrique de Albuquerque, morava na época
no Rio de Janeiro, no bairro do Meyer. Trabalhei por muitos e
muitos anos na Embratel. A minha história começou justo quando
certo dia meu chefe de seção veio falar comigo dizendo que: o
Ministro das Telecomunicações teria que inaugurar a estação
terrena de Juara, lá em Cuiabá, e portanto eu teria que me
deslocar urgentemente com minha equipe composta de mais dois (2)
colegas e para efetuarmos instalação de Esteiras, Distribuidores
de Áudio, Distribuidores Geral e Blocos Terminais etc., e pasmem!
num período de no máximo vinte (25) dias, uma tarefa impossível,
pois dependia da viagem, hotel, e também do material a ser
instalado chegar na localidade a tempo. A verdade é que não tive
escolha, quando o meu chefe me disse que só confiaria esta tarefa
a mim, embora existisse mais três (3) outras equipes de instalação
a disposição da Embratel. O que fazer agora? Este serviço em
condições normais só poderia ser concluído no mínimo com 45 ou 60
dias, e minha equipe estava agora com a corda no pescoço em
concluir tudo em 25 dias, senão seríamos todos demitidos. Bem,
saímos do Rio de Janeiro de manhã bem cedo e com escuro para
pegarmos o primeiro voo para Cuiabá e mal chegamos no Aeroporto de
Cuiabá, já nos deslocamos para a Embratel de Cuiabá, onde uma
viatura nos aguardava para levarmos para um outro Aeroporto, onde
deveríamos pegar um jatinho urgente para Juara. Chegamos nesse
Aeroporto e a pessoa do balcão nos informou que o voo não sairia
mais, devido o mal tempo e nem se quer havia previsão de quando
poderia sair. Chovia muito em Cuiabá e quase toda a região de Mato
Grosso. Ficamos desesperados sem saber o que fazer. Retornamos
para a Embratel de Cuiabá e o Chefe do Distrito( A pessoa que
manda na Embratel), nos aconselhou sairmos no dia seguinte bem
cedo e tentar pela estrada numa viatura da Embratel, mas que não
garantiria nada, devido as estradas estarem enlameadas. Parecia
nosso fim, pois aí já estavámos perdendo um dia de trabalho e só
nos restariam 24 dias agora. No dia seguinte, antes que
amanhecesse o dia, rumamos de rural para Juara, distante 6 horas
de viagem, ou seja lá se ia o segundo dia. A viagem foi horrível,
paramos diversas vezes com o carro enguiçado na alta lama, embora
esse carro tivesse tração nas quatro rodas em nenhum lugar paramos
para comer algo ou beber, porque não havia na estrada nenhum
restaurante ou posto e o combustível trouxemos de Cuiabá em vários
galões. Bem, finalmente chegamos a Juara quase 6 horas da noite,
famintos e debaixo de uma forte tempestade. Só existia nessa
cidadezinha um único lugar pra comer, que era uma humilde
churrascaria e certamente teríamos que nos dias seguintes almoçar
e jantar nela, pois não tínhamos mais nenhuma opção. Fomos todos
para uma humilde pensão onde íriamos dormir por vários dias,
lembrando que essa pensão era o melhor hotel da cidadezinha, pois
só existia ela que hospedasse alguém de fora. No dia seguinte, bem
cedinho, fomos para a estação de Juara para iniciar o tal serviço
e qual não foi nossa surpresa que chegando lá, constatamos que o
material ainda não havia chegado. E agora? O que faríamos? A nossa
sorte é que a pessoa que nos conduziu até Juara de carro ligou
imediatamente para o Chefe da Embratel em Cuiabá e contou toda a
história. Para não encompridar muito, este material levou mais 5
dias para chegar. Só nos restariam agora 18 dias e ao abrirmos as
caixas com todo o material, constatamos que quase 90% dos tirantes
estavam todos tortos e as caixas estavam quase todas abertas,
parafusos, arruelas e porcas todos misturados, uma loucura. Como
nós poderíamos instalar as esteiras devido os tirantes estarem
tortos? E o pior: sem comunicação para Cuiabá pois o rapaz da
viatura havia retornado bem cedo para Cuiabá. E agora o que fazer?
Não tínhamos escolha, o negócio era tentar refazer o material e
separar as centenas de parafusos, porcas e arruelas.Nessa
brincadeira perdemos mais 4 dias - que loucura. Faltavam agora
justo 14 dias e não mais deveríamos falhar.Começamos o serviço e
aí coloquei cada colega numa tarefa para agilizar o máximo o
serviço, sendo que eu fiquei também em uma das tarefas,
trabalhamos até meia noite. No dia seguinte, veio a primeira
decepção: um dos colegas fizera a tarefa dele toda errada, devido
estar muito nervoso com o serviço. Que coisa! não teve jeito, o
outro colega e eu tivemos que perder um dia inteiro a fim de
consertar e ao mesmo tempo instalar agora de forma certa. Nesse
dia ficamos trabalhando até 2 horas da manhã. Passaram-se os dias,
até que ficou faltando 4 dias para encerrar o prazo dado pelo meu
chefe e o serviço estava bastante adiantado. Nos sábados das
semanas anteriores eu nunca trabalhava e nem deixava os colegas
trabalharem, devido eu pertencer a uma Igreja que guarda o sábado,
mas nos domingos todos nós trabalhávamos normalmente.Restavam 4
dias, quinta-feira,sexta-feira, sábado e domingo, pois na
segunda-feira bem cedo deveríamos retornar para Cuiabá, para
terça-feira voltarmos para o Rio de Janeiro. Quando chegou
quinta-feira à noite, ao sairmos para dormir, chegamos a conclusão
que se não trabalhássemos no sábado, o serviço só iria acabar na
quarta-feira.E agora? Meta fracassada era demissão na certa, pois
envolvia o Ministro das Telecomunicações nisso.Ou seja, o nosso
atraso iria empurrar as outras equipes que não eram da Embratel,
mas de outras firmas como a Telemulti, Etelbrás,Nec,Fujimak,
Ericcson, Elebra etc.,a atrasarem também suas metas; seria o
famoso efeito dominó, sem contar pintura final das paredes, ar
condicionado, limpeza definitiva da sala que seriam feitos também
por outras firmas. Um detalhe a mais: essas firmas já se
encontravam em Juara só a espera da sala ser liberada por mim.
Finalmente chegou sexta feira de manhã e os colegas vieram a mim
dizendo: Paulo, nós vamos ter que trabalhar hoje, sexta-feira, até
umas 3 horas da madrugada e sábado e domingo o dia todo e a noite
também, pois ainda tem muita coisa por fazer e eu não quero perder
meu emprego, uma vez que tenho família para sustentar. Fiquei sem
saber o que falar para eles. Nessa sexta-feira fiquei calado a
manhã inteira sem saber o que fazer, só pensando que o meu sábado
começava ao pôr do sol de sexta-feira e iria até o pôr do sol de
sábado, portanto não poderíamos trabalhar sexta feira à noite e
nem sábado durante o dia todo até acabar o sábado. Puxa que
agonia!. Lá pelas duas horas da tarde, me separei dos meus amigos
e fui lá fora do prédio e como o prédio ficasse numa pequena
elevação e isolado da cidadezinha, só havia no prédio o segurança,
eu e meus amigos. Fui aos fundos do prédio para que ninguém me
visse e muito menos meus amigos e aí me ajoelhei e orei a Deus,
implorando a sua misericórdia para que Ele me mantivesse íntegro
na guarda do sábado, não queria trabalhar e nem fazer os meus
amigos trabalharem, pois assim diz o 4º. Mandamento de Deus:
“Lembra-te do dia de sábado para o santificar e não devemos fazer
ninguém e nem nossos animais trabalharem nesse dia”. Implorei
desesperadamente a Deus que Ele me mostrasse a sua grandiosa
glória, dando uma solução para aquele problema. Decorrido uns 15
minutos voltei com os olhos cheios de lágrimas `a sala onde se
encontravam meus amigos, que por sinal estavam trepados nas
esteiras e por pouco não me viram entrar. Subi e fiquei lá em cima
trabalhando com eles e as horas foram passando, o sábado nessa
sexta-feira entrava 18:47h e já eram 5 horas da tarde e caminhando
para 6 horas. Num dado momento eu olhei para baixo e vi um homem
em pé na porta de entrada da sala em que estávamos trabalhando,
com uma das mãos apoiadas no alisar da porta e com o olhar em nós.
Tomei um susto, pois ninguém subia lá onde estávamos devido ser
prédio de firma estatal e tinha segurança local. Cutuquei os
colegas que também se assustaram. Ignoramos o tal homem, pois
estávamos muito focados no serviço e ele permanecia na mesma
posição sem se mexer e sem falar nada pra nós. Chegou 6:30 h então
os meus colegas falaram assim: Paulo, vamos continuar trabalhando,
você se quiser pode ir para a pensão que nós iremos ficar
trabalhando. Foi aí que o tal homem falou assim: “se vocês
quiserem eu ajudo vocês no sábado à noite e no domingo até a hora
que quiserem, mas hoje não dá e nós terminaremos tudo! Na mesma
hora eu e meus colegas nos entreolhamos, pois o dito homem não
falara nada até então. E mesmo porque como ele poderia estimar o
nosso serviço? E afirmar que terminaria? Aí um dos colegas falou:é
impossível sem trabalharmos sexta-feira à noite e sábado o dia
inteiro,conseguirmos acabar esse serviço. Tem muita e muita coisa
para se concluir. O homem respondeu: vai dar pra terminar. Parecia
até que ele conhecia o nosso problema. Aí eu me lembrei da oração
que havia feito e me enchi de fé. Perguntei então àquele homem:
Você tem certeza que conseguiremos? Ele imediatamente falou: lhe
garanto. Então os colegas ficaram ainda temerosos, mas eu acabei
convencendo eles a irem para a pensão descansar e só voltar no
sábado à noite e eles sempre tocavam no assunto. Passado o sábado,
voltamos a trabalhar no sábado à noite e quando foi domingo à
tarde, exatamente às 5:33 h, estava tudo concluído, para honra e
glória de nosso Deus. Findo o serviço, procuramos o homem para
agradecer-lhe e ao mesmo tempo dar algum dinheiro e não mais o
vimos. Então resolvemos falar com o segurança do prédio sobre o
homem que nos ajudara a fim dele olhar no livro de entrada de
pessoas e ele nos dizer o nome dele e provavelmente onde ele
morava, pois pelo tamanho da cidade, acho que todos se conheciam.
E ele falou secamente: Impossível ter vindo alguém aqui sem que
passasse pelo portão de ferro e sem que eu abrisse o mesmo. Aí eu
falei então, dá pelo menos uma olhada no livro de entrada. Aí ele
me mostrou o livro todo, desde o dia que começamos a trabalhar no
prédio até aquele dia, só havia o nosso nome lá com a hora de
entrada e de saída e de mais ninguém, não havia entrado ninguém a
não ser nós. Insisti com ele ainda: Você tá lembrado que lá pelas
9 horas da noite de sábado você nos levou chá para bebermos? O
guarda respondeu: me lembro. Por que? Então o colega falou para o
guarda: você não viu um rapaz que trabalhava conosco nessa noite?
E aí ele nos falou assim: vocês devem ter bebido,pois as únicas
pessoas que vi foram vocês três e mais ninguém. Segunda-feira
viajamos, alegres e felizes e saímos de Juara com aquele homem
intalado na nossa mente.
Paulo Henrique
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