Rio de Janeiro, 15 de maio de 2008
Meu nome é Daniel Schuab Moura, moro no Rio de Janeiro, e
meu testemunho para o seu site é sobre um fato marcante que
aconteceu comigo quando eu tinha meus 12 anos, hoje já sou
sexagenário. A minha história ocorreu num belo domingo, quando eu e
meu pai saímos de casa para pegarmos um trem com destino ao Engenho
de Dentro, onde morava um primo meu, que era sargento da Marinha de
Guerra, e sempre aos domingos íamos passar o dia com ele, onde
almoçavámos, eu, meu pai e seus amigos da Marinha, e eu voltava à
tardinha para casa,com os bolsos cheios de chocolates que eles me
davam. Vamos ao testemunho. Chegamos na Estação chamada Central do
Brasil e lá pegamos um trem parador ou seja, pelo fato de ser
domingo e não ter muito movimento, eles colocavam um trem parador
que ia parando em todas as estações e um outro trem direto que só
parava em algumas estações. Eu e meu pai entramos no trem parador,
só havia esse trem na estação, mais nenhum havia. Em dado momento,
foram desligados os ventiladores e o auto-falante anunciou que
aquele trem não mais sairia da plataforma e que seria conduzido à
manutenção.Foi aquele corre-corre, e nisso me perdi de meu pai,
quando vim sair do trem estava sozinho na plataforma e o trem como
estava já vazio, fechou todas as portas. Olhei por entre um vagão e
outro e vi um trem se aproximando na outra plataforma e foi então
que vi as pessoas correndo nessa plataforma para pegar o novo trem,
a fim de pegar um lugar sentado. Face a essa situação, imaginei meu
pai já está entrando no novo trem que havia chegado, como eu sabia
onde saltar pois já havia ido lá com meu pai em outros domingos.
Resolvi rapidamente encurtar caminho, passando por entre um vagão e
outro do trem em que estávamos e mesmo porque estava com medo que o
trem já estivesse de saída e certamente iria perder a viagem. Ao
passar entre os vagões, ou seja, por cima da conexão vagão com
vagão, vi uma corrente coberta por um plástico e presa ao mesmo
tempo no trem por duas pontas, não pensei duas vezes, procurei
segurar na corrente a fim de me dar mais equilíbrio e me facilitar a
travessia para a outra plataforma. Mas foi aí que a coisa aconteceu:
cai de repente, entre dois vagões, com a cabeça tocando o chão e os
pés para cima, presos numa parte da corrente. Fiquei desesperado
quando ouvi o auto-falante informar que o trem em que eu havia caído
iria se deslocar para a manutenção. Fiquei louco de desespero pois
iria ser triturado pelas rodas do trem e certamente eu teria uma
morte horrível, todo despedaçado.Nesse momento, senti que o trem
começava a se deslocar de forma lenta, clamei desesperadamente ao
Senhor Deus de Abrãao por misericórdia e antes que o trem pegasse
velocidade, senti algo me puxando, como se alguém estivesse me
erguendo, foi aí que senti meus pés em cima da plataforma e o trem
acelerando cada vez mais, até sumir o último vagão. Não entendi nada
e fiquei em pé na plataforma, por alguns minutos estático, com o
olhar fixo nos trilhos. Passado cerca de uns 5 minutos mais ou menos
resolvi dar à volta e ir para o outro trem e ao entrar no mesmo
fiquei em pé dentro do vagão como se fosse uma estátua sem entender
o que acontecera. Logo o trem saiu e somente na roleta de saída da
estação do Engenho de Dentro pude encontrar com o meu pai. Até hoje,
decorridos cinquenta e dois anos , não entendi nada do que houve,
embora eu fosse criança naquela época e meus pais cristãos e
tementes a Deus, me mantive em silêncio o tempo todo, com receio que
me taxassem de louco. Todavia, eu guardo no meu coração, todas as
bênçãos que um Deus de amor pode fazer para com seus filhos, quando
os mesmos se acham em desespero.Que Deus possa abençoar este site e
levar muitas almas aos pés de Jesus.
Daniel
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